Entrar no site de um teatro, de um festival ou de uma companhia de dança devia ser uma experiência simples. Quero saber o que está em cena, quando, onde, quanto custa e como compro bilhete. Em muitos casos, esta informação ou não existe, ou está escondida a três cliques de profundidade, ou está desactualizada. O site existe, mas não funciona.
Isto não é um problema técnico. É um problema de perspectiva.
A maioria dos sites de organizações culturais é construída de dentro para fora. Reflecte a estrutura interna da organização, os seus departamentos, as suas prioridades, a sua linguagem, em vez de reflectir o percurso de quem chega de fora sem saber nada. O menu principal tem entradas como “Sobre nós”, “Missão”, “Equipa”, “Parceiros”. O que o visitante procura – o próximo espetáculo, o horário, o preço – está algures, mas exige paciência para encontrar.
O primeiro erro é estrutural. Um site não é um organograma. É um serviço. E um serviço organiza-se em função de quem o usa, não de quem o produz.
O segundo erro é a linguagem. Os sites de organizações culturais tendem a usar uma escrita que serve a instituição, formal, distante, cheia de referências ao “projecto artístico” e à “missão cultural”, em vez de uma escrita que serve o público. A diferença entre “espetáculo que explora os limites da linguagem cénica contemporânea” e “uma peça sobre o que não conseguimos dizer” não é apenas de estilo. É de intenção. A primeira frase fala para dentro. A segunda fala para fora.
O terceiro erro é a imagem. É comum encontrar sites com fotografias de arquivo de baixa resolução, imagens genéricas de palcos vazios, ou galerias que não foram actualizadas desde a última temporada. A fotografia é muitas vezes o primeiro argumento de um espetáculo para alguém que ainda não decidiu se vai. Tratá-la como elemento decorativo é desperdiçar o recurso mais imediato que existe.
O quarto erro é a bilheteira. Em Portugal, ainda há organizações culturais cujo processo de compra de bilhete obriga o visitante a sair do site, criar uma conta numa plataforma externa, e navegar por uma interface que não foi desenhada para aquele contexto específico. Cada passo adicional entre a decisão de ir e a confirmação da compra é uma oportunidade para desistir.
Há um erro transversal a todos estes que é o mais difícil de resolver porque não é técnico nem editorial, é de prioridade. Os sites das organizações culturais são frequentemente os últimos a ser actualizados, os primeiros a ser cortados no orçamento, e os menos discutidos nas reuniões de direcção. Tratados como infraestrutura de comunicação em vez de como ponto de contacto com o público, acabam por reflectir exactamente esse estatuto.
Um site não substitui a experiência de estar numa sala. Mas é muitas vezes o que determina se alguém chega a estar nessa sala. Essa responsabilidade merecia ser levada mais a sério.
Foto: © Lee Campbell | Unsplash







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